PARADE OF NOWHERE ou DES-ALEGORIAS

2018

Este ensaio, composto por fotografias documentais das ruínas de alegorias de carnavais passados deixadas próximo ao centro histórico da cidade de Florianópolis, resulta em 15 imagens, das quais 10 são fotomontagens impressas em lambe-lambe e coladas na parede ou podendo ser impressão fine art sobre PVC.

A Festa acaba, restam os destroços e ecoa latejante o estandarte: não deixe o samba morrer, não deixe o samba morrer, não deixe o samba acabar.... No pedacinho de terra perdido, de um lado o mar, do outro a presença da plateia que originariamente produziu o espetáculo (a população das comunidades carentes), e que na divisão de trabalho, constrói e produz, mas não usufrui do gozo. Os esqueletos deteriorados em abandono, fragmentos e ruinas da grande festa popular compõe metaforicamente um parque lúdico e ficcional de um desfile alegórico da sociedade neocolonial de descarte e do consumo insano.

Diante de um cenário surreal, encontro um tipo de mundo paralelo, onde um desfile em decomposição possibilita pensar sobre a festa original, sobre transitoriedade e permanência. Da festa de um dia permanece o cenário inanimado que permite focalizar na construção e percepção da imagem como representação da experiência humana entre melancolia e beleza, entre euforia e abandono, entre paixão e esquecimento. Seja como um pensar a cidade em seu contexto de relações fugazes ou a reflexão sobre vida como lugar provisório, reelaboro a tensão entre o real e imaginário, procurando equivalentes para desmonumentalizar o carnaval como produto mercadológico, e construir uma metáfora do mundo como construção social.

Curadoria Lucila Horn