ALGUM LUGAR QUE NÃO SEJA AQUI

SOMEWHERE THAT IS NOT HERE

2020

Olhando atentamente para essas imagens, o que me vem à mente é um grito acéfalo, mas não sem cérebro. Um grito que não dá para saber de quem é a boca que grita. Isso traz uma atmosfera de isolamento, dual entre luz e escuro. Essa dualidade articula presença e ausência, nesse conjunto de imagens que funciona como sentenças de um texto inacabado. A tensão que as incertezas trazem se faz através de uma certa veladura, como um fio condutor que move o olhar. Temos a impressão de que as figuras humanas foram retiradas da cena ou, quem sabe, jogadas para fora dela, e logo reaparecerão. Estranhamento. Cenário de angústia e esperança. Estamos entrando na imagem. E é só uma imagem. Mas ela nos joga para fora, nos expulsa, como se acordássemos repentinamente. Quando, então, voltamos à vida - frágil como ela é -, nos damos conta do quanto nossos pensamentos são imperfeitos. Lucila Horn – Florianópolis, abril/ 2020

Looking closely at these images, what comes to mind is a no-brainer cry, but not without a brain. A scream that you can't tell whose mouth is screaming. This brings an atmosphere of isolation, dual between light and dark. This duality articulates presence and absence, in this set of images that functions as sentences of an unfinished text. The tension that uncertainties bring is done through a certain velvet, like a conducting thread that moves the eye. We have the impression that the human figures have been removed from the scene or, who knows, thrown out of it, and will soon reappear. Strangeness. Scenario of anguish and hope. We are entering the image. And it's just an image. But she throws us out, throws us out, as if we wake up suddenly. When, then, we come back to life - fragile as it is - we realize how imperfect our thoughts are. Lucila Horn - Florianópolis, April / 2020